O dinheiro que circulou durante o período do acidente radiológico do césio-137 levou as autoridades a monitorarem 10,2 milhões de cédulas em Goiânia. Segundo registros, 68 delas apresentaram algum nível de material radioativo. Isso se tornou uma das faces menos visíveis, porém mais reveladoras, do impacto desse episódio que atingiu a capital goiana em setembro de 1987. Com a demora na identificação da origem da contaminação e a intensa circulação do material radioativo pela cidade, o governo estadual precisou adotar um controle inédito sobre o dinheiro em uso, para evitar que a radiação se espalhasse ainda mais. A medida integrou um conjunto de ações emergenciais tomadas após a confirmação do acidente com o césio-137, considerado o maior do mundo fora de uma usina nuclear. O pó brilhante retirado de um aparelho de radioterapia abandonado no Setor Aeroporto circulou por casas, ferros-velhos, ônibus, roupas, objetos pessoais e pelo comércio local. Famílias inteiras adoeciam sem entender a causa, antes que o risco invisível fosse percebido pelas autoridades de saúde.