Em outros momentos, o mercado de trabalho aquecido ajudaria a aumentar a percepção de otimismo da população, mas uma série de fatores tem feito com que a sensação de confiança do brasileiro não reflita os indicadores positivos de emprego. É o que aponta análise dos economistas Fernando de Holanda Barbosa Filho, Paulo Peruchetti e Janaína Feijó, associados ao FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas). Segundo os pesquisadores, esse descompasso é sustentado por níveis elevados de endividamento e inadimplência, além do uso de crédito mais caro —com impacto desproporcional sobre as famílias de menor renda. Desde o fim de 2019, o emprego cresceu em média 1,3% ao ano e o rendimento, 1,9% ao ano, com queda de 5 pontos percentuais na taxa de desemprego e avanço de 1,9 ponto percentual no nível de ocupação, segundo análise a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).