Talvez você não saiba, mas esses têm sido os meus últimos dias dessa segunda temporada de retorno à casa onde aprendi a existir. Sim, como qualquer adulto da geração Z, precisei voltar. Não exatamente por escolha, mas porque a vida às vezes desmonta os planos sem pedir licença — e depois nos devolve para lugares que jurávamos ter deixado para trás. Há exatos dois anos, quando atravessei aquela porta de novo carregando mais dúvidas do que malas, eu enxergava aquilo como um retrocesso. Voltar parecia derrota. Parecia apertar um botão invisível e assistir minha vida andar para trás. Só que hoje, olhando para quem eu era naquela época, percebo que não. Existem casas que não servem só para morar. Algumas servem para reconstruir. E foi ali que reaprendi pequenas coisas: dormir sem medo, comer comida pronta sem precisar decidir tudo, ter alguém perguntando se eu já cheguei, dividir silêncios sem precisar explicar o cansaço.