Para ela, a indiferença não doía menos do que um tapa. Não havia mais diálogos. Ele ficava isolado, sempre a evitava. Naquele dia, como se não bastassem as humilhações a que a submetia, acusou-a de infidelidade. Ela se sentiu medíocre, sentiu vergonha. Pediu-lhe explicações, provas do que acabara de dizer. Ele simplesmente afirmou que não tinha nada a falar, que ela sabia muito bem de tudo. Ela olhou para ele, com firmeza: — Peço a nossa separação. Não posso mais. Ele permaneceu calado. Provavelmente, ela falou por falar, por estresse — pensou ele. Ela, já com roupa de domingo, segurou o filho pelas mãos e foi à missa, à procura de um alento que a confortasse diante daqueles dias tenebrosos. Ele continuou sentado onde estava, atrás de uma mesa, com sua frieza fúnebre, olhando para uma xícara de café morno. Pouco mais tarde, ela voltou. Reafirmou o que dissera horas antes: