Entre o 7 e o 19 de abril, o calendário encurta a distância entre duas datas que raramente são relacionadas. De um lado, celebra-se o Dia Nacional do Jornalista – quem media simbolicamente fatos e narra histórias. Do outro, o Dia Nacional dos Povos Indígenas -que, por muito tempo, tiveram suas histórias narradas por outros. Eu trabalho com imagem e palavra. Escrevo sabendo de onde falo: não sou indígena. Aqui, me aproximo como jornalista, como pesquisadora, buscando reaprender a ver e propondo reflexões a partir de outras perspectivas, pois entendo que aprimorar o olhar é exercício constante e interminável. Durante décadas, o jornalismo, a fotografia, a comunicação de modo geral contribuíram com a construção de uma imagem dos povos indígenas para caber em certos enquadramentos: a aparência exótica, o tempo preso no passado, a distância segura. O olhar, a escuta, as câmeras vinham e apontavam de fora. E, muitas vezes, antes mesmo da aproximação e/ou apuração, já se decidia o que seria mostrado e o que ficaria excluído.