Elenco e equipe de Lá na Minha Terra, próxima novela das seis da TV Globo, se reuniram nos Estúdios Globo, em um workshop que marcou o início dos trabalhos da obra, cujas gravações se iniciaram no fim de semana em São Paulo. A trama marca mais uma parceria da dupla Mario Teixeira e Allan Fiterman, autor e diretor artístico, respectivamente, dos sucessos No Rancho Fundo e Mar do Sertão. No encontro, atores, atrizes, criadores e integrantes da produção mergulharam no universo da nova história com uma leitura do primeiro capítulo e apresentações da equipe criativa. Mario emocionou a todos quando falou sobre a relação da sua escrita com a engrenagem que faz a novela ir ao ar: “Escrever novela é um processo árduo. São seis capítulos por semana, incontáveis páginas por mês. O que me revitaliza é ver esse trabalho transformado em ação, imagens, porque uma novela não é escrita para ser lida, é para ser vista. Por isso, as pessoas da equipe, técnicos, maquinistas, fotógrafos, iluminadores, sonoplastas, pesquisadores, produtores e diretores, aqueles que ninguém vê, são tão importantes”.Entre o interior do Nordeste e a metrópole de São Paulo, dois mundos aparentemente distantes se conectam em uma história sobre amor, saudade, identidade e a força das raízes que, mesmo abandonadas, continuam a nos chamar de volta. Criada e escrita por Mario Teixeira, com direção artística de Allan Fiterman, Lá na Minha Terra, a próxima novela das seis da TV Globo, com estreia prevista para novembro, é uma fábula contemporânea do universo mítico que caracteriza o trabalho da dupla. A trama acompanha a jornada de Rosenda (Dira Paes), uma mulher que desafia o destino para reconstruir sua família e reencontrar o próprio caminho. Há pouco mais de 15 anos, o marido de Rosenda, Severino (Daniel de Oliveira), partiu para a capital paulista com a promessa de conseguir dar uma vida melhor para todos, mas nunca mais voltou. Na pacata Lavra Seca, cidade fictícia do Nordeste, ficaram a esposa e seus filhos, Lina (Arianne Botelho), Damaso (Miguel Rômulo), Brícia (Jéssica Marques), Dodô (Vicenthe Delgado) e Águeda (Carol Pinheiro). Mesmo após tanto tempo de sua partida, Rosenda não perdeu as esperanças de reencontrá-lo e descobrir as respostas para tantas perguntas que a perseguem. Será que ainda está vivo? De sol a sol, Rosenda criou os filhos sozinha, com ternura e muito sacrifício, enfrentando as dificuldades que assolam o lugar onde vivem. Mulher digna, ela ainda se considera casada com Severino e honra esse vínculo, a ponto de guardar um lugar à mesa para o dia em que ele aparecer. A principal fonte de renda da família é uma pequena criação de cabras que possui nas terras arrendadas do poderoso Almerindo Mourão (Mateus Solano), fazendeiro viúvo e completamente apaixonado por Rosenda. Ela até gosta dos cortejos que recebe, e, no fundo, ama Almerindo, mas coloca acima de tudo o respeito e a devoção pelo homem com quem se casou. Enquanto isso, a quilômetros dali, Severino agora se chama Cesário e esbanja luxos e prazeres ao lado da esposa Ismália (Camila Morgado) e de Alice (Giulia Benite), a filha que teve com ela. Sua nova vida começou ao cruzar os portões de uma luxuosa mansão em um bairro nobre de São Paulo, onde foi trabalhar como jardineiro. Herdeira de pais riquíssimos, Ismália se encantou pelo funcionário, que não demorou muito para se render ao seu charme e, principalmente, às novas possibilidades que se apresentavam. O simples retirante se tornou um ambicioso empresário, que agora passa os dias enfurnado em seu escritório na Nova Faria Lima, sem nunca ter decidido se separar legalmente de Rosenda, ou ao menos dar notícias. O ponto de partida da trama acontece quando ela decide tomar as rédeas dessa história e ir atrás do paradeiro do marido sumido. Para o autor, Lá na Minha Terra aborda uma realidade conhecida por muitos brasileiros. “Eu me inspiro na vida e nas minhas memórias de infância. Cresci entre o Ceará e Roraima, terra da minha mãe, ouvindo histórias de pessoas que deixavam a família para tentar a vida em São Paulo, cidade onde moro”, afirma. Quando Rosenda atravessa o país em busca da verdade, Lavra Seca e a metrópole São Paulo finalmente se encontram, transformando para sempre a vida de todos os envolvidos. Ao descobrir que Severino, ou Cesário, estava mentindo o tempo todo, tanto ela quanto Ismália ficam estarrecidas. A atual mulher do agora empresário, apesar da grande decepção e resistência em aceitar o que o marido fez, não quer sair por baixo e vai fazer de tudo para mantê-lo ao seu lado. Com o aparecimento da antiga esposa, a culpa começa a pesar sobre Severino/Cesário, que sempre viveu dividido entre a nova vida e as lembranças da família. Ele não viu os filhos crescerem e vai buscar se redimir, retomando a verdadeira identidade, mas Rosenda conseguirá perdoá-lo? Ao mostrar um Brasil diverso, criativo, empreendedor e conectado com o presente, a obra conta com um elenco de diferentes partes do Nordeste, como Bahia, Paraíba e Pernambuco, entre eles Danilo Mesquita, Lucy Alves, Luis Miranda, Jéssica Marques, Thardelly Lima, Clarissa Pinheiro, Rhaisa Batista, Suzy Lopes e Gustavo Falcão. A novela levará personagens de São Paulo para Lavra Seca, retratando a convivência entre tradição e inovação, sempre permeadas pela cultura popular e pela representação através de arquétipos.“Os arquétipos são fundamentais porque nos permitem contar histórias muito particulares e, ao mesmo tempo, facilmente identificáveis. Eles funcionam como uma memória profunda, que o público reconhece mesmo sem perceber. Na cultura nordestina, essa força está em toda parte: nos heróis e anti-heróis, nas figuras maternas, nos retirantes, nos poderosos, nos apaixonados e nos sonhadores. É uma tradição construída por grandes mestres, como Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, Luiz Gonzaga e Patativa do Assaré, que souberam transformar a experiência de uma região em imagens e personagens capazes de falar ao Brasil inteiro. Procuro dialogar com esse legado”, destaca Mario Teixeira.