Impulsividade, necessidade constante de movimento e uma sensação persistente de não se encaixar acompanharam a psicóloga Elessandra Cristina de Oliveira, de 46 anos, por toda a vida. As peças só se encaixaram este ano, com o diagnóstico de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). “Desde criança, eu me percebia diferente, mas foi durante meu trabalho em uma clínica especializada em neurodivergência que a ficha realmente caiu. Ao me conectar com as crianças e suas histórias, eu me vi refletida nelas e lembrei da minha própria infância”, conta. Até então, Elessandra fazia acompanhamento psiquiátrico com foco em ansiedade e depressão, sem um diagnóstico conclusivo. No início deste ano, decidiu procurar uma neurologista para entender seu quadro. A trajetória dela repete um padrão que especialistas reconhecem com frequência crescente em diagnósticos tardios de transtorno do espectro autista (TEA) e TDAH: sintomas subestimados por décadas, interpretados como traços de personalidade, e uma sensação de inadequação que atravessa a vida escolar, profissional e afetiva. A visibilidade do tema ganhou novo impulso recentemente, quando a cantora Ana Castela e a atriz Letícia Sabatella revelaram ter recebido, já na vida adulta, diagnósticos de TDAH e autismo, respectivamente.