Imagine se 42 milhões de brasileiros, o equivalente à população de quatro cidades de São Paulo, fossem forçados a fugir de suas casas e tivessem que viver em abrigos, barracas na rua, casas de parentes e dentro de carros, tudo isso no período de menos de um mês? Foi o que aconteceu no Líbano, onde 20% da população foi obrigada a fugir desde que Israel começou a bombardear o país no início de março. E essa migração forçada em massa está ocorrendo em um país com um território 810 vezes menor que o Brasil e densidade populacional 25 vezes maior. As forças israelenses passaram a bombardear massivamente o Líbano depois que o Hezbollah, milícia aliada do Irã, começou a lançar foguetes no norte de Israel, em reação à guerra americana e israelense contra o regime iraniano. Grande parte dos mais de 1 milhão de deslocados fugiu do sul do Líbano, maior alvo dos bombardeios israelenses, e foi se refugiar em Beirute, ainda que a capacidade dos abrigos oficiais da cidade seja de apenas 130 mil pessoas. A capital do Líbano transformou-se em uma cidade de trânsito ainda mais caótico, com quedas de energia e problemas de abastecimento.