O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nunca disfarçou seu desprezo por jornalistas que o confrontam. Com a popularidade em queda e próxima de mínimas históricas, entretanto, o republicano intensificou, nos últimos meses, os ataques contra repórteres e veículos de comunicação, reforçando uma estratégia que transforma a imprensa em inimiga preferencial e ajuda a mobilizar sua base de apoiadores. Neste mês, Trump atacou repórteres de diferentes veículos e interrompeu uma entrevista de forma abrupta. Também em junho, comentaristas que se apresentam como independentes encontraram seus nomes numa seção intitulada "Influenciadores de Esquerda" dentro da página "Infratores da Mídia", hospedada no site da Casa Branca, o que motivou novas críticas relacionadas à liberdade de expressão. No ataque de fúria mais recente, Trump abandonou uma entrevista à rede americana NBC depois de ser pressionado a apresentar provas relacionadas às acusações de fraude eleitoral no pleito de 2020, quando ele foi derrotado pelo democrata Joe Biden. Sem responder aos questionamentos, o presidente arrancou de sua camisa o microfone de lapela, jogou-o no chão e acusou a emissora de parcialidade.