Democracia é o regime da liberdade. Pelo menos é assim que gostamos de defini-la. Mas há uma contradição que raramente enfrentamos: se somos livres para escolher nossos representantes, por que não somos livres para escolher participar ou não do processo? No Brasil, votar não é apenas um direito, é uma obrigação. Quem não comparece precisa justificar. A liberdade política começa sob condicionamento. Confiamos no cidadão para decidir os rumos do país, mas não confiamos o suficiente para deixá-lo decidir se quer ou não participar da escolha. A maioria das democracias desenvolvidas não adota o voto obrigatório. Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Japão. Nesses países, votar é um direito exercido por quem deseja participar. E justamente por isso o voto carrega peso: ele não é fruto da coerção legal, mas da decisão consciente.