A migração da busca ativa para a recomendação automática redefine o funcionamento do debate público. Já não importa tanto o que o eleitor procura, mas o que o algoritmo entrega. Plataformas de vídeo curto deixaram de ser meios neutros de distribuição e passaram a operar como curadoras políticas. O Reuters Institute Digital News Report 2025 confirma que, entre jovens brasileiros, o consumo de notícias por recomendação passiva superou a busca ativa nas redes sociais. O modelo de engajamento privilegia choque, identidade de grupo e pertencimento, não veracidade. No Brasil, a escala amplia o risco. Dados consolidados em 2025 indicam que o país ultrapassou 110 milhões de usuários ativos em plataformas de vídeo curto. A política passou a circular como subproduto do entretenimento algorítmico, diluída entre memes, recortes de vídeo e comentários emocionais.