Ao mergulhar na rica trajetória intelectual do economista indiano Amartya Sen, deparei-me com uma informação histórica surpreendente. Durante muito tempo, assim como a maioria das pessoas, imaginei que a mais antiga universidade do mundo fosse a Universidade de Bolonha, fundada em 1088, na Itália. As memórias do prêmio Nobel de Economia de 1998, entretanto, conduzem o leitor a uma realidade muito mais antiga: a Universidade de Nalanda, na Índia, fundada por volta do ano 427 da era cristã. Quando Bolonha ainda estava a mais de seis séculos de surgir, Nalanda já reunia milhares de estudantes e professores oriundos de diversas regiões da Ásia, constituindo um dos mais importantes centros de produção de conhecimento do mundo antigo. A comparação entre a antiguidade das universidades asiáticas e europeias e aquelas surgidas na América Latina revela um contraste impressionante. Enquanto Nalanda florescia no século V e Bolonha inaugurava a tradição universitária europeia no século XI, as primeiras universidades latino-americanas só apareceriam muitos séculos depois. A Real e Pontifícia Universidade de São Marcos, em Lima, no Peru, foi fundada em 1551, seguida pela Real e Pontifícia Universidade do México, também criada em 1551. Mesmo sendo as mais antigas das Américas, elas nasceram mais de mil anos depois de Nalanda e cerca de quatro séculos após Bolonha.