O Congresso reabre hoje. Reabre como sempre: blindado, refrigerado e perfeitamente alheio ao país que diz representar. Para si, nunca fechou. Para o povo, jamais abriu. As portas giratórias funcionam, os microfones amplificam discursos vazios e os espelhos confirmam o figurino da desconexão. Lá dentro, chamam de “tensão política”. Aqui fora, o nome é outro: cinismo institucionalizado. A pauta não é o povo. Nunca foi. O povo é apenas o ruído incômodo que atrapalha as negociações de bastidor. A pauta é contra ele: contra o salário que acaba antes do mês, contra o aluguel que sobe sem pedir licença, contra a ideia perigosa de que trabalho deveria garantir dignidade. O Congresso retorna reafirmando seu maior consenso: a inutilidade eficiente, meticulosamente paga com dinheiro público. E Mato Grosso, tem representante lá? Tem, segundo os registros oficiais e as fotos de campanha sorridentes demais para serem verdadeiras. Na prática, o estado serve mais como caixa eletrônico do que como prioridade política. Os representantes votam conforme a melodia do poder central, chamam obediência de “articulação” e submissão de “responsabilidade”.