Publicado em 1930, A Rebelião das Massas, de José Ortega y Gasset, é fruto de um período de profunda instabilidade histórica. A Europa emergia da Primeira Guerra Mundial com suas referências políticas, morais e culturais abaladas, enquanto vivia uma aceleração sem precedentes da técnica, da urbanização e dos meios de comunicação. O progresso material avançava com rapidez, mas não era acompanhado por um amadurecimento equivalente no plano cultural e ético. É nesse contexto que Ortega identifica o surgimento de um novo tipo de sujeito histórico: o homem-massa. Trata-se de um indivíduo plenamente integrado às conquistas do mundo moderno — conforto, direitos, tecnologia e acesso à informação —, mas progressivamente desligado do esforço histórico que tornou esse mundo possível. Ele usufrui da civilização como se ela fosse um dado natural, e não o resultado frágil de séculos de disciplina, organização e responsabilidade coletiva.