Existe, muitas vezes, uma visão preconceituosa sobre os mais pobres, sejam países, regiões, instituições ou pessoas. Como se o desenvolvimento desigual fosse, antes de tudo, uma falha mental ou moral dos menos afortunados, e não o resultado de processos históricos complexos, marcados por contingências e trajetórias desiguais. Paradoxalmente, aqueles que se apresentam como modelos frequentemente ignoram que suas próprias estruturas também são imperfeitas e, em alguns casos, profundamente deterioradas. Muitas das nações consideradas exemplares mantêm níveis elevados de beligerância internacional, participando de conflitos armados ou sustentando complexos industriais militares de grande escala. Outras enfrentam crises ambientais profundas, resultantes de modelos históricos de crescimento intensivo em recursos naturais. Em diversos contextos, observa-se ainda o crescimento da intolerância social, de tensões identitárias e de polarizações políticas que fragilizam a própria coesão das sociedades.