Observa-se, no cenário internacional, uma tendência de que as universidades assumam protagonismo no desenvolvimento regional, superando a função tradicional de formação de recursos humanos e produção científica para incorporar resultados socialmente tangíveis, como inovação, transferência tecnológica, captação de recursos e criação de novos empreendimentos baseados em conhecimento. Trata-se de um movimento presente em distintos modelos de desenvolvimento, dos Estados Unidos à China, refletindo menos um debate ideológico e mais uma resposta pragmática às crescentes demandas por inovação, competitividade territorial e geração de valor econômico e social. Entretanto, é inegável que, no Brasil, essa lógica produz tensões internas relevantes no ambiente acadêmico, associadas tanto a disputas por espaços e recursos quanto à multiplicidade de visões e interpretações acerca da missão universitária. Uma crítica recorrente aponta que a integração da universidade a projetos de inovação pode tensionar, em alguma medida, seu papel formativo na constituição de sujeitos críticos e socialmente transformadores, preocupação legítima, especialmente quando se reconhece que nem os mercados nem a própria ciência operam em condições de neutralidade absoluta.