Divórcios não fracassam apenas por razões emocionais. Muitos fracassam porque o modelo de partilha de bens e ativos é, economicamente, mal estruturado. Isso eleva os custos do divórcio, gera ressentimento e reforça a percepção de injustiça. A intuição de que justiça, no caso do divórcio, significa dividir “ao meio” - ainda dominante na prática jurídica - parece simples e correta. Na prática, porém, frequentemente produz o oposto: mais conflito, maior custo e menor satisfação para ambas as partes. Os números ajudam a dimensionar o problema. O Brasil registra cerca de 428 mil divórcios por ano, segundo o IBGE. Uma parcela relevante segue pela via judicial, muitas vezes de forma litigiosa. O tempo médio de tramitação é elevado, com taxas de congestionamento superiores a 70%, segundo o CNJ. Os custos financeiros facilmente superam R$ 10 mil por parte, sem contar o desgaste emocional e psicológico.