Quando a psiquiatra francesa Marie-France Hirigoyen resolveu dividir o seu tempo entre atender em seu consultório, em Paris, e escrever os livros Mal-estar no Trabalho, Redefinindo o Assédio Moral e Violência no Casal, publicados entre 2001 e 2005, seu objetivo era acender um farol, iluminar caminhos. É como se alguém estivesse perdido em uma densa floresta e necessitasse de ajuda para abrir uma clareira que o conduzisse à saída. É exatamente isso que Marie-France propõe em suas obras: mostrar um caminho para que a mulher possa identificar, ainda no início da relação, o que ela chama de homem-ventosa — aquele que, gradativamente, destrói a autoestima da companheira de todas as formas possíveis, faz ironias, questiona suas capacidades e até desqualifica sua família. Ele aterroriza a mulher de maneira tão intensa que ela vai perdendo a própria identidade. Em muitos casos, esse desmoronamento é irreversível.