Palmas é uma cidade planejada. Mas uma pergunta deve ser feita: planejada por quem e para quem? Essa é uma questão presente no cotidiano de muitos moradores que enfrentam dificuldades em conseguir transporte, saúde, iluminação, segurança, cultura, lazer e infraestrutura básica. O Jardim Aureny IV, na região sul da capital, ajuda a revelar uma importante contradição. A cidade nasceu com projeto urbano, traçado moderno, avenidas largas e discurso de futuro. No entanto, parte de sua população vive distante das decisões que definem os rumos do próprio território. O planejamento urbano foi tratado como assunto de especialistas. Os planos diretores, mapas, audiências públicas e normas técnicas são instrumentos importantes. Mas eles não bastam quando não alcançam a vida concreta dos bairros. A cidade real não cabe apenas na prancheta. Ela está na rua sem calçada adequada, no ônibus que demora, na unidade de saúde sobrecarregada, na iluminação que falha e na ausência de espaços públicos para jovens, idosos, trabalhadores e famílias.