Os trinta e seis quilômetros que separam a cidade de San Francisco do campus da Universidade de Stanford revelam muito mais do que um simples deslocamento geográfico. Trata-se de um percurso simbólico, onde se condensam algumas das principais forças que moldam o mundo contemporâneo. Ao longo desse trajeto, encontram-se pontos de grande interesse. Um deles é Mountain View, sede da Google. Mais adiante, em Palo Alto, situa-se o coração do Vale do Silício — o mais dinâmico polo de inovação do planeta. Acrescente-se ainda, nesse mesmo eixo, a presença da Universidade da Califórnia, Berkeley, instituição que, ao lado de Stanford, ajudou a formar gerações de cientistas, engenheiros e empreendedores responsáveis por avanços decisivos da economia digital. Até então, com uma visão ainda influenciada por referências do mundo em desenvolvimento, imaginei que aquele espaço fosse inteiramente dedicado à inovação e ao conhecimento. Ledo engano. Ao parar nas proximidades de uma estação de trem, a poucos quilômetros de Stanford, deparei-me com trabalhadores simples — muitos deles oriundos da América Latina — exercendo funções essenciais, porém invisíveis, ao funcionamento daquela engrenagem sofisticada.