A ciência brasileira já tem rosto de mulher. Hoje, elas são a maioria entre estudantes e titulados em mestrado e doutorado no Brasil e representam 54% dos pesquisadores do País. Porém, a nossa presença em áreas como Tecnologia, Engenharias e Matemática ainda é limitada, assim como as oportunidades de progressão na carreira científica e de acesso a uma remuneração justa e equivalente à dos homens. Apesar dos avanços nos últimos anos, o chamado “efeito tesoura”, que reduz a participação feminina ao longo da progressão na carreira, nos mostra que o desafio não é apenas de oportunidade, mas de permanência, de reconhecimento e de valorização dos nossos talentos. Historicamente, a desigualdade não está apenas na distribuição da renda salarial. Ela também aparece na dificuldade de acesso a financiamento para pesquisas. Projetos liderados por pesquisadoras têm recebido menos recursos. A diferença entre as oportunidades nas regiões do País agrava esse panorama. Pesquisadoras do Norte e do Nordeste enfrentam barreiras ainda maiores quando o assunto é financiamento público de pesquisas científicas.