Algumas histórias começam com uma mala. Outras, com uma despedida. A minha começou com 17 anos, uma passagem para Goiânia e um sonho grande demais para caber dentro de um rapaz que acabara de sair de Porto Nacional. Era 1987. Eu havia concluído o ensino médio e acreditava que o próximo passo da vida seria passar no vestibular da Universidade Federal de Goiás. Não passei. Mas, às vezes, a vida reprova a gente em uma prova apenas para nos matricular em outra. E eu fiquei em Goiânia. Naquele tempo, a cidade me parecia imensa. Eu vinha do antigo norte de Goiás, de uma terra onde quase tudo era mais difícil, e de repente estava diante de prédios, ônibus, lojas, ruas movimentadas e gente por todos os lados. E eu era apenas um menino do interior tentando descobrir onde colocar os pés. Fui morar em um quarto no Setor Universitário. Ao lado da casa havia uma senhorinha, dona do imóvel, dessas pessoas que entram na nossa história sem saber que entrarão.