Quem conhece os grandes pensadores da política, como ciência que ela é, bem sabe que, no time dos grandes, consta o nome do italiano Norberto Bobbio. Revisitei o excelente livro “Teoria Geral da Política”, organizado pelo professor, também, italiano, Michelangelo Bovero, a respeito dos escritos desse grande intelectual. Procuro, por meio desses escritos evidenciar alguns conceitos amplamente discutidos pelo sábio de Turim no transcorrer de sua produtiva vida intelectual. No tocante à relação entre política e moral (hoje, tão em evidência no Brasil), leciona o sábio professor que a infração de regras sociais aceita pela sociedade necessita ser justificada por aqueles que militam com a coisa pública. Se não justificada, o homem público tende a perder algo fundamental para sua sobrevivência enquanto político: o voto. E políticos sem votos comparam-se às cobras sem veneno. Veja-se o caso do senador Aécio Neves. Flagrado numa comprometedora conversa com o empresário Joesley Batista, o neto de Tancredo Neves, após uma decisão polêmica do Supremo Federal, teve êxito naquilo que o ex-senador Delcídio Amaral não conseguiu: ser absolvido pelos seus pares. Foi uma vitória parcial, pois seus próprios companheiros de partido lhe pressionam para deixar a presidência do PSDB. No fundo, esse temor se justifica, pois, no próximo ano, teremos eleições e nestas a sociedade será convocada para emitir um julgamento moral.