Em outubro de 1976, o Journal of Financial Economics publicou um artigo que viria a se tornar um dos pilares fundamentais da economia e das finanças modernas: "Theory of the Firm: Managerial Behavior, Agency Costs and Ownership Structure",escrito pelos economistas Michael C. Jensen e William H. Meckling. Este é amplamente considerado um dos artigos mais importantes de Finanças e Economia do século XX. Ele introduziu a moderna teoria da agência (agency theory), explicando conflitos de interesse entre acionistas e gestores, custos de agência e como a estrutura de propriedade das empresas pode mitigá-los. Ele tornou-se um dos papers mais citados nas áreas de economia e finanças e fundou grande parte da literatura contemporânea sobre governança corporativa. No cerne da análise está o conceito de custos de agência (agency costs): despesas e perdas de eficiência que surgem quando os gestores (agentes) não agem integralmente no melhor interesse dos acionistas (principais). Jensen e Meckling (1976) mostraram como esses custos emergem da divergência de objetivos — os gestores podem priorizar benefícios pessoais, como consumo de mordomias (jatinhos, escritórios luxuosos, decisões que maximizam prestígio em detrimento do valor da firma) —, e como mecanismos como a estrutura de propriedade (percentual de ações detidas por insiders), dívida, monitoramento externo e incentivos contratuais podem mitigar esses problemas.