Poucos momentos no esporte carregam tanta tensão quanto uma cobrança de pênalti num mata-mata e especialmente numa final de Copa do Mundo. O estádio inteiro silencia. Apenas os corações continuam pulsando. As arquibancadas entram em suspensão, como se o mundo inteiro esquecesse de respirar. O goleiro dança sobre a linha tentando parecer maior do que realmente é. O cobrador ajeita a bola com uma serenidade quase teatral, embora por dentro carregue um terremoto invisível. Naquele instante, o futebol deixa de ser apenas esporte. Vira psicologia, probabilidade, teoria dos jogos e tragédia em câmera lenta. Nelson Rodrigues dizia que o pênalti é “a forma mais dramática da solidão”. E talvez, se ainda estivesse entre nós, dissesse também que certos pênaltis, numa final de Copa do Mundo, carregam tamanho peso nacional que deveriam ser cobrados pelo próprio Presidente da República. A frase parece exagerada. Mas toda Copa do Mundo mostra que ela contém uma verdade profunda.