Por muito tempo, a pesquisa científica foi compreendida como um exercício de observação. O pesquisador chegava ao território, coletava informações, registrava dados e retornava à universidade para interpretar aquilo que havia encontrado. Hoje, diante da complexidade dos desafios sociais e ambientais, inclusive na Amazônia, esse modelo já não é suficiente. Pesquisar exige, antes de tudo, disposição para ouvir. É mais do que levar respostas prontas ao território, pesquisar passou a exigir algo mais difícil: aprender a religar, tecer ciência e saberes tradicionais sem hierarquias e sem romantismo. Foi exatamente essa compreensão que orientou nossa presença nas comunidades do Bico do Papagaio, no norte do Tocantins, onde o projeto Sociobio Amazônia vem desenvolvendo uma pesquisa voltada ao fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade. As visitas ao Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), à comunidade Olho d'Água e à comunidade Rizada não foram simples etapas metodológicas. Representaram um exercício de construção compartilhada do conhecimento.