Johanesburgo, 2 de julho de 2010. Restam poucos segundos para o fim da prorrogação nas quartas de final da Copa do Mundo. O placar entre Uruguai e Gana está empatado. A bola é cabeceada em direção ao gol uruguaio. Em cima da linha, Luis Suárez faz algo que todo jogador aprende desde criança que não pode fazer: usa deliberadamente as duas mãos para impedir o gol. O árbitro expulsa o atacante imediatamente. Gana ganha um pênalti, mas Asamoah Gyan acerta o travessão. O Uruguai sobrevive, vence a disputa por pênaltis e chega à semifinal. O mundo inteiro discutiu se Suárez havia cometido uma enorme desonestidade. Um economista faria uma pergunta diferente: Ele tomou uma decisão racional? Gary Becker, um Prêmio Nobel de Economia, provavelmente responderia que sim com toda a certeza. Em 1968, Becker revolucionou a Economia ao publicar Crime and Punishment: An Economic Approach. Sua ideia era tão simples quanto poderosa: muitas infrações não decorrem apenas de impulsividade ou falta de caráter. Resultam de uma comparação entre benefícios e custos esperados. Em outras palavras, um indivíduo tende a violar uma regra quando o benefício esperado supera o custo esperado da punição. Essa lógica ajuda a compreender evasão fiscal, corrupção, excesso de velocidade nas estradas e inúmeras decisões do cotidiano, mas também ajuda a entender o futebol moderno.