Chamamos de liberdade aquilo que aprendemos a não questionar. No 21 de abril, lembramos Tiradentes como símbolo de um ideal pelo qual se arriscou a própria vida. Mas talvez o desconforto comece justamente aí: celebramos a liberdade como herança, enquanto vivemos dentro de limites que já deixamos de perceber. A ilusão não está na falta de liberdade, está na certeza de que ainda a temos inteira. A liberdade ocupa um lugar central nas sociedades ocidentais. Está nas leis, nos discursos, nas promessas institucionais e na forma como nos definimos como sociedade. Repetimos que ela é um direito fundamental, quase uma evidência. E talvez por isso mesmo tenha se tornado invisível. O que é constantemente afirmado raramente é examinado. O princípio permanece intacto no papel, enquanto a prática aprende a contorná-lo.