No dia 2 de fevereiro de 1962, eu era ainda uma criança de cinco anos quando tive a oportunidade de conhecer, pela primeira vez, a terra de meu pai: Itacajá, no norte do então estado de Goiás, hoje Tocantins. A cidade que encontrei naquele tempo era pouco mais que um amontoado de casas simples, muitas delas cobertas de palha. As ruas não passavam de largos caminhos de areia solta. Andar pelo areião daquele pequeno povoado não era tarefa fácil; os passos afundavam na areia que parecia ocupar todos os espaços. Naquele início dos anos 1960, Itacajá não deveria ter mais do que quatro mil habitantes. Era uma cidade em que todos se conheciam, onde as famílias tradicionais formavam o tecido social do lugar. Entre elas estava a família Soares Correia, à qual meu progenitor pertencia, uma das mais numerosas do município. A vida seguia com a simplicidade típica do sertão: comércio modesto, poucas ruas, poucas casas e muita proximidade entre as pessoas.