Em forma de protesto, nesta segunda-feira, 4, residentes, servidores, bolsistas e professores universitários da Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas (Fesp), fizeram um abraço simbólico no prédio da instituição. O ato ocorreu devido a prefeita da Capital, Cinthia Ribeiro (PSDB), ter assinado a medida, publicada no Diário Oficial do Município (DOM) da última sexta-feira, 1°, que dispõe sobre a organização básica da estrutura administrativa do Poder Executivo do Município de Palmas. E neste documento, extinguiu órgãos e entidades autárquicas/fundacionais, entre elas, a Fesp. A justificativa da gestora é que “essa alteração materializa a necessidade de adaptar a estrutura organizacional a uma nova realidade da gestão pública”. Porém, muitos colaboradores e bolsistas da fundação estão revoltados porque segundo eles, a extinção da entidade ocorreu sem nenhum diálogo com a sociedade, servidores e até mesmo presidência da fundação. “A Fesp anoiteceu e não amanheceu, em conjunto com todas as outras fundações, foi extinta em apenas uma canetada. Ninguém sabia de nada. Até onde nós sabemos a própria presidente da fundação foi pega de surpresa”, afirmou a servidora pública Mônica Bandeira, presidente da Seção Tocantins da Associação Brasileira de Enfermagem. Ainda segundo a representante, na Fesp há muitos enfermeiros, assistentes sociais, nutricionistas, médicos e demais profissionais de saúde que a partir de agora não sabem como ficarão os programas de residência, que são nove no total. “Também não sabemos como ficarão as questões das bolsas, além de outros projetos como educação para o Trabalho e o Programa Palmas Para Todos e o próprio Comitê de Ética Científica. Será uma perda científica para a população”.Mônica ainda ressaltou que há diversos projetos que correm o risco de acabar, caso realmente haja o fechamento da fundação. “O nosso abraço, o nosso manifesto teve o propósito de chamar a atenção dos poderes Executivos e Legislativos, além da sociedade em geral. Os serviços são importantes para a população, então com a extinção da Fesp, a comunidade só irá perder”.Fesp A Fesp é uma autarquia que trabalha atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação para os trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) e a comunidade de Palmas. Ela surgiu através da Lei Municipal nº 2014/2013 que criou a Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas.Em sua criação foi instituída como missão, o ato de promover atividades de ensino , pesquisa, extensão e inovação para os trabalhadores do SUS e a comunidade, mediante os pressupostos da Educação Permanente em Saúde, no intuito de ofertar serviços de qualidade em consonância com os princípios e diretrizes do SUS, e, assim, contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população. Prefeitura O Jornal do Tocantins questionou à Prefeitura de Palmas quantas pessoas utilizam a bolsa atualmente na Fesp, bem como o que será feito para que estes bolsistas continuem nos programas e se os servidores da Fesp seriam realocados para a Secretaria Municipal da Saúde, além de questionar como ficariam os trabalhos de pesquisa. A prefeitura se recusou a responder as perguntas e publicou em seu site matéria justificando a medida.O Executivo também não especificou quanto nem quais os problemas detectados que levaram à extinção da fundação, nem explicou se houve consulta ao colegiado ou desrespeito ao plano de Saúde Municipal ou ao Plano Plurianual, uma vez que nenhum desses instrumentos prevê medida radical como esta.Segundo a Semus, a pesquisa científica e a tecnologia na área da saúde passam a ser geridas pela pasta, com a incorporação da Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas pela Semus. O órgão ainda afirmou que como os recursos financeiros que mantinham a Fesp são oriundos da Semus, os bolsistas continuarão tendo suas pesquisas custeadas com recursos do Fundo Municipal de Saúde, que é gerido pela Secretaria Municipal da Saúde. “O enxugamento da estrutura, sem comprometimento de suas finalidades e atribuições, resultará em economia de recursos financeiros que serão revertidos em favor de políticas públicas de interesse da população”, afirmou o secretário municipal da Saúde, Thiago Marconi, sem mencionar qual seria o valor desta economia.